A forma como a inovação é perspetivada e encarada dentro da organização, distingue os gestores verdadeiramente inovadores, da restante massa crítica profissional – tipicamente mais tradicional e conservadora.
A habilidade de pensar e fazer acontecer a inovação pode ser trabalhada e aperfeiçoada. Com base na nossa experiência de consultoria de inovação de marketing, elencamos as quatro “regras base” para começar a potenciar as suas innovation skills. Contudo, importa relembrar que integrar, de forma consistente e repetida, estas boas práticas na rotina no seu dia a dia, é crucial para conseguir bons resultados.
#1 Procure “abrir o ecossistema”
Aplique os princípios da inovação aberta (open innovation), que pressupõe combinar o valor interno da organização com o que vem do exterior (ideias, conhecimento, tecnologias) através do estabelecimento de parcerias com entidades externas (ex: centros de I&D) ou por via de licenciamentos, joint ventures, spin offs, etc.
A criação e a gestão de uma rede de contactos externa, capacita a organização de competências e saberes alargados, permitindo-lhe alcançar vantagem competitiva e rapidez no go-to-market.
No mercado de grande consumo, uma das formas mais comuns de fazer “open innovation” é através de crowdsourcing, em que a marca/empresa solicita ao mercado (clientes e potenciais clientes) a submissão de ideias para novos conceitos de produtos ou serviços através de plataformas colaborativas (ex: Procter & Gamble, Phillips).
#2 Estimule a criatividade
Falar em inovação de marketing implica falar em criatividade, uma vez que o pensamento criativo origina uma ideia, que por sua vez irá resultar numa inovação (ex: novo produto, novo serviço, etc.).
Não raras vezes, o problema resulta do facto dos gestores não dominarem as técnicas e ferramentas de estímulo ao pensamento criativo. Neste sentido, é importante garantir: a marcação e o cumprimento da agenda das sessões criativas; o envolvimento dos colaboradores de diferentes áreas/departamentos e a alocação de uma “sala de inovação” – um espaço exclusivo para o desenvolvimento das sessões.
No que respeita às metodologias usadas, é comum a realização de atividades que estimulem o pensamento divergente, como o brainstorming e a utilização de diversos materiais – post its, canetas coloridas, placards/quadros para escrever, etc. Para otimizar a eficácia das sessões de criatividade, é importante solicitar a ajuda de um facilitador externo.
#3 Foque-se no cliente/consumidor
Uma abordagem “customer-centric” estipula que os consumidores/clientes são uma fonte crítica de ideias para novos lançamentos de produtos ou serviços; upgrades ou novas configurações da oferta comercial.
Para além disso, os seus valiosos insights são igualmente úteis para testar determinados conceitos, antes de serem lançados no mercado, o que aumenta substancialmente a probabilidade de aceitação e de sucesso.
Procure introduzir atividades de research com amostras de clientes e potenciais clientes (através de entrevistas exploratórias presenciais individuais ou coletivas e de reflexões estratégicas assistidas) com o objetivo de recolher dados e informações que lhe permitam ajustar a oferta àquilo que o mercado realmente quer.
#4 Redefina prioridades
É relativamente fácil e frequente que muitas organizações – das mais pequenas às de maior dimensão – se desfoquem da inovação. Isto significa que a inovação ainda é frequentemente encarada como uma atividade “complementar” ao negócio, e não como o “core” do mesmo. Isto pode trazer consequências fortemente negativas para a marca/empresa, tais como ineficiências no desenvolvimento e atrasos no go-to-market, resultando na perda de vantagem competitiva.
Uma forma de contrariar esta tendência é alocar a inovação de marketing como prioridade estratégica. Para isso, não basta criar um departamento/área de inovação, mas sim:
- introduzir a inovação na missão, visão, valores e estratégia da empresa;
- partilhar e envolver todos os colaboradores e stakeholders com esse princípio estratégico;
- promover uma liderança inspiradora sobre a inovação de marketing.
Em termos práticos, é fundamental que a equipa de gestão de topo se mostre envolvida e focada em alavancar a inovação de marketing, através da estruturação de um processo e da definição de um plano de atividades. A criação de uma agenda de trabalho, associada ao plano de gestão de inovação de marketing, é um bom ponto de partida para começar a fazer da inovação uma prioridade no interior da organização.
