“A performance de qualquer empresa é maximizada quando existe uma estratégia de marketing na base da sua atuação”

Estudou Ciências da Comunicação, com curso de mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico (Universidade do Porto) e pós-graduado em Marketing Digital (IPAM). Pedro Miguel Pinto saiu do seu estágio na Casa da Música e entrou no mercado de trabalho, enquanto Assessor de Comunicação, pelas portas da Ordem dos Nutricionistas.

Com um percurso que se desdobra por diversos setores da Comunicação e do Marketing, assente na sua experiência de mais de 7 anos em agências e departamentos de ambas as áreas, especializou-se também em Inovação e Marketing Digital. No Braver Media Group, foi o responsável pela criação e edificação do departamento de Public & Brand Relations, tendo participado em vários projetos da área do Entretenimento, como são casos o RFM Somnii e o concerto de Andrea Bocelli.

Foi Consultor de Comunicação independente de artistas e de projetos de Entretenimento. Atualmente é Senior Communications Consultant na Atrevia.

Qual foi o projeto mais desafiante que liderou desde o início da sua carreira?

Quando o teu percurso profissional passa por agência, necessariamente vais trabalhar em projetos de muitos tipos. Em função da tua área de especialização, ou do domínio dos teus interesses, vais identificar-te mais ou menos com determinados projetos e isso também vai ditar muito aquilo que se torna para ti num desafio maior ou menor.

É difícil identificar o projeto mais desafiante de todos, mas acho que a criação e edificação de um departamento foi um trabalho de particular responsabilidade e exigência. A Consultoria de Comunicação, na área do Entretenimento/Cultura, e sobretudo na Música, também me trouxe boas oportunidades de trabalhar em projetos muito desafiadores nestes últimos tempos. E, claro, por trabalhar também Gestão de Crise, já participei em projetos que me tiraram muitas horas de sono, mas acabei sempre por ver esses períodos como muito positivo e gratificantes. É muito por esta adrenalina que gosto tanto daquilo que faço.

Qual a importância de as empresas terem uma estratégia de marketing bem definida, antes de avançarem para as campanhas de comunicação?

A performance de qualquer empresa é maximizada quando existe uma estratégia de marketing na base da sua atuação, que começa logo no momento desafiador que é o de captar a atenção de um potencial cliente num mercado cada vez mais competitivo e exigente.

Uma estratégia de marketing define um caminho pré-sugerido, ainda que seja adaptável à realidade de cada momento, que pode impactar toda a estrutura de uma organização de uma forma muito positiva, se for encontrada com base em análises minuciosas de informações-chave.

Qualquer empresa, independentemente da sua dimensão, deve partir na sua própria aventura com noções muito claras dos seus objetivos, da sua missão, de como quer ser percecionada e distribuída pelo público. O Marketing não entra depois – o Marketing, no fundo, é também o início.

Como avalia o retorno das campanhas de comunicação?

Uma empresa data-driven define um conhecimento sustentado na tomada das suas decisões, em que nenhuma ação tática ou estratégica é tomada a menos que seja assente em informações credíveis que a fundamentem. No online, a última década tornou evidente o poder do tratamento de dados no relacionamento com o cliente – por exemplo, na experiência do cliente desde o momento em que se depara com o produto/serviço até ao pós-venda. No entanto, enquanto no online se continuam a procurar novas métricas com pertinência estratégia e tática, ainda existem áreas do offline em que se discutem as métricas que mais habitualmente são utilizadas, como o caso do AVE (Advertising Value Equivalency).

Como eu não acredito em estratégia que não possa ser mensurável, continuo a considerar esta métrica com frequência, que nos indica quanto é que a marca gastaria em publicidade para atingir a mesma quantidade de pessoas que uma publicação orgânica está a atingir. A esta somo outras métricas quantitativas resultantes da análise de clipping, por exemplo, que mais tarde poderão, em função da dimensão do projeto, ser ainda cruzadas com outras métricas habituais do reporting do digital, como tráfego digital, conversões, taxas de rejeição, autoridades de domínio, qualificação de leads, receitas obtidas, menções, engagement.

O que é importante é que cada projeto seja analisado em função das suas especificidades e que os dados que lhe servem de suporte tático e estratégico sejam selecionados em função da pertinência.

É importante entender o online e offline como uma aliança – como universos complementares.

Quais as novas competências que os profissionais de marketing deverão assegurar, para terem sucesso no futuro?

A criatividade está intrínseca em qualquer que seja o trabalho da área de marketing à área da Comunicação. No marketing, é mais fácil entender o porquê – as pessoas associam-no mais facilmente a uma área propícia ao playground criativo¸ ao pensar fora da caixa. Na assessoria de imprensa, por exemplo, já não é assim tão evidente que esse skill seja tão vincado. No entanto, o que é de um assessor de imprensa sem boa flexibilidade na sua escrita? Sem capacidade de pensar e transformar temas que não são notícias em algo relevante e novo para o jornalista?

Sou pela Especialização, mas gosto de sentir um certo potencial 360º nos profissionais da nossa área para que, se o mercado ou o mundo, como hoje, consigamos crescer fora do convencional. É importante entender o online e offline como uma aliança – como universos complementares. Há públicos à espera de serem impactados em todo o lado, e o profissional de Marketing tem de ser o primeiro a entender isso.

Enquanto Consultor de Comunicação, o que está na sua agenda para 2021/2022?

Claramente que 2021 vai ser um ano de grandes desafios para muitos profissionais desta área, muito por dependermos muito das vulnerabilidades que estão inerentes aos nossos clientes a propósito da conjuntura atual. Vivemos num momento atípico e sem precedentes relevantes que nos fazem esperar um período de transição de era bastante complexo.

Posto isto, é certo que a minha agenda vai ser preenchida por projetos muito interessantes, com dimensões e áreas bem diferentes, que me vão ajudar a crescer muito – e, no final do dia, é isso que conta.

Qual o seu conselho, ao nível de marketing e comunicação, para os líderes de PMEs em Portugal?

Falando apenas da área para a qual tenho alguma autoridade para falar, dir-lhes-ia que, com muito ou pouco dinheiro, há sempre formas de tornar o Marketing/Comunicação num investimento com retorno – ainda que possa ser a curto ou a médio prazo. Em Portugal, formamos bons profissionais nestas áreas e o tecido corporativo rico que temos tem também impulsionado de forma muito positiva a oferta que hoje há no mercado.

Um líder precisa de saber reconhecer as fragilidades da sua estrutura em primeiro lugar – depois disso, precisa de saber procurar pelos parceiros certos no mercado para as atacarem.

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